Revolução dos anos 60
 


Pele bem cuidada desde cedo e saúde monitorada permitem mais uma esticadinha até bem depois dos anos 60.
Desde que a novela ‘’O Astro’’ estreou, dois assuntos dominam as conversas das telespectadoras mais maduras: as cenas em que Carolina Ferraz e Rodrigo Lombardi aparecem sem nada de nada sobre os belos corpos e o que será que Regina Duarte fez na pele para ficar tão viçosa. A reposta é um tratamento com aparelho  vindo de Israel chamado Legato. Ele faz furinhos microscópios na pele que, depois, são preenchidos com fel adaptado a cada paciente – no caso de Regina, continha vitamina C, zinco, silício e manganês. Depois, uma máquina de ultrassom ‘’empurra’’ a substancia para a parte mais profunda de pele.
 A atriz fez quatro sessões com Legato (1500 reais cada uma). ‘’Agora ela não tem mais medo da alta definição’’, orgulha-se o dermatologista Jardis Volpe, responsável pelo tratamento, mencionando a tecnologia que inferniza as atrizes. O legato ataca poros abertos, manchas e ruguinhas recentes. Mas Regina é suficientemente inteligente e segura para admitir intervenções mais profundas. Com apenas 38 anos, ela fez um lifting total, a plástica facial em que o roto é recortado de orelha a orelha, como uma mascara, e a pele é repuxada. Nessa cirurgia, foi-se embora também o famoso furinho no queixo da atriz, merecidamente conhecida como o rosto mais belo da televisão. Aos 52 anos, Regina fez a versão hoje mais usada, um mini lifting, alisando a área da mandíbula e do pescoço – ou, em suas palavras, ‘’a papadinha’’.
Agora, aos 64 anos, os cirurgiões que a acompanham são taxativos: se os tratamentos dermatológicos não derem conta ou simplesmente se ela quiser, poderá muito bem fazer uma terceira plástica.
A ‘’plástica de despedida’’, aquela última arrumadinha no rosto (ou em outras partes), está avançando cada vez mais no tempo. Até dez anos atrás, a pele de mulheres na faixa dos 60 anos, o limiar definitivo, era diferente da de hoje. ‘’Não havia os cremes combatentes dos primeiros sinais, que já são aplicados por jovens de 25 anos, nem produtos como Botox, laser e preenchimentos, que refrescam a fisionomia aos 40 e 50’’, diz o cirurgião plástico paulistano Ricardo Marujo.
À elasticidade aumentada, soma-se a melhoria das condições gerais de saúde, como coração e pressão em ordem. Os resultados são uma pele mais resistente ao ‘’esgarçamento’’ e riscos menores no momento mais delicado das operações estéticas, a administração da anestesia. Num estudo feito na Cleveland Clínic comparando pacientes acima de 65 anos – atenção, 65! – com grupo de média etária de 57,6, não houve diferenças significativas em matéria de complicações.
O aumento na expectativa de vida e evolução das técnicas cirúrgicas também contribuem para que o adeus ao bisturi seja mais que tardio. Em 2010, quase 85000 americanos acima de 65 anos fizeram cirurgias estéticas. Descontando os excepcionais genes, a atriz Jane Fonda é um ótimo exemplo de como uma senhora pode continuar dando suas esticadinhas sem ficar grotesca – nem atormentada de preocupação com os riscos. Em 2000,ela jurou que nunca mais entraria na faca (já havia feito um lifting, levantando as pálpebras e aumento os seios). Ainda bem que os juramentos sempre podem ser revistos. No ano passado, aos 72 anos, deu mais uma esticada no pescoço e nas bolsas sob os olhos. ‘’Não pareço repuxada. Meus pés de galinha ainda estão vivos. Quero ser uma avó glamorosa’’ disse.
A frase espelha o que bons cirurgiões pensam sobre boas cirurgias. ‘’Quase 70% das pacientes reclamam, depois da cirurgia, porque não tirei todas as rugas’’, diz o presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica Sebastião Guerra. ‘’Dias depois, quando encontram alguém que diz: ‘Você esta com alguma diferença, mas não sei o quê.’, elas reconhecem que a naturalidade é melhor resultado.
A tática das intervenções equilibradas, sem aquele antigo conceito de puxar o rosto inteiro, também funciona. ‘’Retoco a testa, com preenchimento, mas deixo as rugas em volta dos olhos. Corrijo o bigode chinês, mas não mexo na testa’’, explica o plástico carioca Ronaldo Pontes, que fez o primeiro lifting de Regina Duarte.

Colega de Regina em ‘’O Astro’’, Rosamaria Murtinho também impressiona pelo semblante conservado – chega a ser espantoso lembrar que ela tem 75 anos. A atriz já fez dois liftings e uma bioplastia – um ainda hoje discutido preenchimento com gel derivado do petróleo, que fica no rosto para sempre. Rosamaria  tem características que ajudam a ‘’segurar’’ uma plástica, como rosto quadrado e maças proeminentes. Na falta deles os plásticos sugere um ‘’novo’’ calendário de intervenções.
Aos 40 anos, recomenda um mini lifting com pálpebras para o desejado efeito de aparência refrescada. ‘’Aos 50, sugiro um lifting total, porque já há bastante pele sobrando’’, diz Ricardo Marujo. Entre oito e doze anos depois, quando a pele já tiver cedido novamente, um terceiro lifting, cortando exatamente no mesmo lugar, para não criar outras cicatrizes. ‘’E, se a mulher estiver em excelentes condições físicas e com a pele do rosto não muito fina, devido às outras cirurgias, ainda dá para fazer como outros aos 70 anos’’, diz o médico Carlos Fernando de Almeida, responsável pelo rosto elegantemente ajustado da atriz Marieta Severo, 64, ‘’Já operei uma senhora de 82 anos para o casamento de seu bisneto’’, conta Guerra.

 

 

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